O Dilema das Redes | Crítica

Documentário da Netflix traz apontamentos e críticas fortes ao desenfreado abuso de dados

Nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição”, é com essa frase de Sófocles que o documentário O Dilema das Redes lançado recentemente e que está em alta na Netflix começa, é dirigido por Jeff Orlowski (Frame by Frame) e tem o roteiro assinado por Davis Coombe  (Em busca dos Corais) e Vickie Curtis (O peso da água) e faz um alerta, pela voz de especialistas e profissionais da área de tecnologia, sobre o impacto individual e coletivo que as redes sociais podem causar, até mesmo na nossa democracia. 

A frase de Sófocles no início, já nos prepara para a atmosfera que vamos encarar durante o longo dos 89 minutos do documentário. Nós tratamos a internet e tecnologias como algo corriqueiro no nosso cotidiano, é natural acordar e checar as redes sociais ou notícias antes da rotina matinal ou até mesmo durante a mesma. Facilita nosso dia-a-dia, seja para comprar um produto, trabalhar, ou pedir um veículo em poucos minutos. Durante essa pandemia que temos enfrentado, a internet tem sido, aparentemente, a salvação para nosso problemas, sejam eles: estudo, trabalho, socialização, atendimento médico e principalmente: o entretenimento. 

O Dilema das Redes te convida a questionar o motivo pelo qual sempre temos bons motivos para utilizar as redes sociais. Será que ignoramos o quanto de tempo passamos, de fato, em frente a tela de nosso Smartphone? E vai mais a fundo, a tecnologia é nossa aliada ou somos avatares de ‘vodu’ tecnológico para essas empresas e seu lucro? Os benefícios compensam o caos causado pelo exagero?  

Durante o documentário, vamos ver depoimentos e relatos de profissionais de redes sociais, que já atuaram em empresas como Google, Facebook, Twitter, Reddit, Printerest, Instagram, etc. E a resposta de cada um deles é um sonoro NÃO.  Cada um dos convidados, relata ter deixado a respectiva empresa por motivos éticos, após perceberem o que as empresas têm feito com os dados que recolhe de seus usuários. 

Em O Dilema das Redes, não se fala da famosa teoria de venda de dados de seus usuários, segundo os especialistas, isso sequer seria útil para as empresas, não geraria o lucro que eles conseguem usando os dados para seu próprio benefício. Como exemplo lúdico é utilizada uma dramatização, que mostra uma família comum, onde todos são viciados no uso das redes sociais e Smartphones, e a mãe se preocupa com o tempo gasto pelos filhos mas acaba não tendo uma boa abordagem para tratar o tema e piorando a situação. Em uma das cenas, que achei interessante, dramatiza, como seria a visão dos bot (aplicação de software concebido para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão), enxerga cada usuário, enviando conteúdo baseado no que você tem interagido, seja uma foto, vídeo, postagem de amigos e família, propagandas. E o ator que os representa, faz parecer que o rapaz de fato é controlado por eles através da tela, sempre impulsionando sua atividade online.

Outro ponto levantado pelo grupo, foi a taxa de suicídio entre adolescentes e pré adolescentes, especialmente dentro da chamada geração Z, dos nascidos logo após 1996 a 2010, que tiveram acesso a tecnologias mais precocemente que gerações anteriores.  E mostrando na dramatização, o quanto afeta em especial as mulheres, que tem um padrão irreal de beleza, criado pela rede social.

Os especialistas, ainda, citam a disseminação de Fake News, e como para cada perfil e região a abordagem muda. As notícias que vão desde aquecimento global, citam o exemplo dos terra-planistas, eleições, incluindo a que elegeu o atual presidente, e que cuja campanha foi totalmente construída e espalhada pelo Facebook. Não deixando de lado as disseminadas sobre a Covid-19, entre elas tratamentos sem comprovação e teorias da conspiração. Apesar de todos os problemas apresentados no documentário, grande parte dos especialistas participantes não acredita que banir as redes sociais seja uma solução, mas sugerem outras soluções, criação de mais leis sobre os dados na internet, até mesmo taxando as empresas para dados que elas retém de seus usuários, a busca de fontes para informações de notícias que recebemos, entre outras.







Poltrona Nerd

Postar um comentário

Deixe o seu comentário! ;)

Copyright © Maratonando. Todos os direitos reservados | F.H |